O Presidente Obama mobiliza milhares de soldados do exército e os EUA partem com seus aviões e porta-aviões. Mas dessa vez não é uma missão de guerra. Estão em missão de paz e reconstrução de um país vizinho. O espaço aéreo cubano, vedado há mais de cinqüenta anos às aeronaves norte-americanas é liberado para diminuir a distância e o sofrimento do povo Haitiano. O Presidente dos Estados Unidos declara o Haiti prioridade nacional. Um movimento natural de solidariedade se espalha pela terra como um tremor do bem. Missões do mundo inteiro desembarcam no Haiti com uma única intenção, ajudar o país quase totalmente destruído por um terremoto avassalador. Nações formando exércitos de paz. Soldados levando saúde, educação, alimento, esperança, ao invés de guerra e destruição.
Esse movimento solidário internacional, diante do cenário de destruição do Haiti, reacende minha fé no ser humano. São transformações assim que podem redimir a história. Entretanto, foi necessário acontecer um te
rremoto para mexer com a comunidade internacional. Foi preciso um cataclisma de sete graus na escala Richter para que percebessem que o Haiti não era apenas um pontinho exótico no mar do caribe. Apesar de estar a apenas uma hora e meia dos Estados Unidos, poucos demonstravam saber que ali, pertinho da nação mais desenvolvida do mundo, estava o país mais pobre da Américas. O Brasil era um desses poucos. Chefiando a missão de paz da ONU no Haiti, desde 2004, o Exército Brasileiro havia se antecipado a comunidade internacional. O Brasil não precisou ser motivado pelo terremoto para ajudar seus irmãos Haitianos.
Quase duas dezenas de militares brasileiros deram a vida por essa missão, Dra. Zilda Arns, uma das mulheres mais importantes deste país, também deu sua vida. Uma causa humanitária, sem fronteiras, sem bandeiras, sem interesse econômico, movida por apenas um sentimento: solidariedade.
O Brasil ainda é um país muito pobre. Mas aos poucos vamos diminuindo nosso índice de miséria. Graças a uma política econômica, iniciada com a estabilização da moeda, no Plano Real de Itamar Franco e ao início dos programas sociais no governo de FHC, a população que vivia em pobreza extrema caiu de 32,05% da população, para 27,63% da população em 2001. Dando seqüência a política iniciada no Governo do PSDB, o Governo do PT aprofundou os programas sociais e chegamos ao final do primeiro mandato do Presidente Lula, com um índice de 19,31% de miseráveis no Brasil.
Os dados da Fundação Getúlio Vargas mais atualizados são de 2006 e embora indiquem um decréscimo importante no nosso índice de miséria, indicam também, que há quatro anos tínhamos ainda um contingente aproximado de 35 milhões de miseráveis. Não dá pra comemorar.
Então, quando você ouvir Caetano cantar o Haiti é aqui... Não é nenhum exagero. Na verdade temos mais de quatro Haiti no Brasil, já que a população haitiana é de 8,9 milhões de pessoas e temos aproximadamente 25 milhões de brasileiros vivendo abaixo da linha de pobreza no Brasil.
Mas isso não é motivo para criticar nossa missão naquele país, pelo contrário. É certo que devemos extinguir nossa miséria, e em quatro governos consecutivos o Brasil trabalha nessa direção. Mas também é certo que devemos ser solidários com nossos irmãos mais pobres. Se os EUA gastassem em missões de paz e solidariedade, um décimo do que gasta em missões de guerra e destruição, o terremoto não teria surpreendido seu vizinho tão despreparado, tão miserável. Nesse ponto o Brasil dá um exemplo ao mundo
e se coloca como uma das nações que lideram o movimento de solidariedade global.
As pedras que feriram mortalmente os militares brasileiros e Dra Zilda, são as mesmas que construirão o pedestal de heróis que eles merecem. E o Brasil está carente de heróis. Desejamos que essas mesmas pedras que caíram sobre a consciência internacional, sirvam como alicerce para a construção de um novo Haiti e de um novo mundo. Menos desigual mais fraterno e mais solidário.

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