Quero tudo menos real, inexato.
Nada muito em foco
Nem próximo, nem distante
Nenhuma conclusão
Nenhuma certeza
Apenas um caminho errante.
Quero derrubar dogmas
Desequilibrar equações
Afirmar dúvidas
Desestabilizar verdades.
Não quero a hora certa
A resposta certa
A decisão precisa
A oportunidade esperta.
Prefiro a névoa embaçada
Que precede a descoberta
O frio na barriga da aventura incerta.
Prefiro o difuso
A intuição
Prefiro o inconcluso
Ao escravo da razão
Não nasci para chegadas
Prefiro as caminhadas
Subidas, descidas, vôos, escaladas.
E quando terminar minha jornada
Flutuarei ao sabor do espaço
Sem gravidade, sem pressa
Sem idade, sem medo
E na ordem do caos universal
Assoprarei no teu ouvido
A revelação de todos os segredos.

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