terça-feira, 5 de maio de 2009

MENTIRAS QUE PARECEM VERDADES

"Uma imagem vale mais do que mil palavras".

As imagens da bomba de Hiroshima, da suástica nazista, da bandeira dos Estados Unidos, ou de um gol de Pelé, que sentido teriam, se não fossem os valores da formação oral, e escrita que recebemos desde o momento em que nascemos? São as palavras dos nossos pais, dos nossos professores, da lei, dos amigos, dos inimigos, dos livros, das músicas, do teatro, do cinema, da tv, que dão sentido à tudo, inclusive às imagens. Imagens mudam de significado dependendo dos olhos de quem a vê. Para um pecuarista a imagem de uma floresta significa um empecilho. Para um ecologista o paraíso.
Nos anos 70 o veículo novo era a TV e a velocidade da imagem via satélite aproximou, aparentemente, o mundo. Digo "aparentemente" porque na verdade afastou a todos. Quando vemos uma guerra no Afeganistão, ou uma enchente no Piaui, elas estão no mesmo lugar, na TV. E assistimos a tudo de muito longe. A realidade fica num aquário que olhamos como se fossem peixinhos coloridos.
Na sala aconchegante dos nossos lares, a primeira coisa que sentimos é:
- Ainda bem que não é aqui!
A TV é um veículo frio.
Logo após a notícia do monstro que seviciou a filha durante vinte quatro anos na Àustria a apresentadora chama, sorridente, as finais do campeonato de futebol.
Hoje o veículo novo é o computador via internet. A disponibilidade da informação causou a revolução que transformou a sociedade industrial em sociedade do conhecimento.
Mas atenção, não se chama sociedade da informação, muito menos sociedade da imagem.
Chama-se sociedade do conhecimento, pois tanto a imagem quanto a informação só fazem sentido quando nos ajudam a entender melhor a nós mesmos e ao mundo em que vivemos.
Até os números só fazem sentido através das palavras.
E para falar não é preciso câmera, nem microfone. È só pensar. E para transmitir seu pensamento não é necessário nenhuma tecnologia . É só falar com alguém.
Na verdade, a sociedade do conhecimento banalizou a informação e a imagem, e valorizou a palavra e o pensamento, cada vez mais raros.
Imagem digital. Imagem instantânea. No celular. No computador. No Youtube. Na TV averta. Na TV a cabo. Imagens baratas. Imagens sobrando.
Mas imagens que precisam de sentido.
Informações disponíveis no google, bibliotecas na internet. Mas informações que necessitam de ideologia.
Uma imagem vale mais do que mil palavras...
Não sei quem é o autor da célebre frase, mas certamente ficou muito tempo na frente da TV.
Uma palavra sim, vale mais do que mil imagens.
Amor por exemplo.
Quantas imagens seriam necessárias para expressar o sentido dessas quatro letras.
E paz que tem apenas três letras?
E fé que tem apenas duas?

2 comentários:

  1. Pai, adorei suas crônicas! Elas estimulam a reflexão e acho que estão relacionadas. A sua autobiografia demonstra ânsia por desvendar as imagens da vida, talento ao utilizar as palavras e união dos dois lados na comunicação, em que você confere sentido e ideologia às imagens da mídia e da publicidade através de palavras e pensamentos. Gostei muito das duas e concordo que as palavras valem mais! Acho que a série mentiras que parecem verdades tem muito a ser explorada. Te amo! Beijinhos.

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  2. Valeu Maria! Seu comentário me emocionou.Vou tentar continuar a série "mentiras que parecem verdades" é uma temática que se bem explorada pode resultar num livro de crônicas.
    Muitos beijos.

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